
Ainda hoje nos perguntamos quem é o maior. A luta para ser o maior estraga nossa convivência. Em vez de “conviver”, queremos sempre “competir”; para aparecer, temos sempre de derrubar e humilhar o outro: “sou doutor Fulano de Tal, sou o Ministro Tal”, sou autoridade, sou o mais importante, sou o maior...Quem se acha maior olha os outros com desprezo e, por isso, não aceita nem aceitará ser irmão. Para Cristo, ser maior é servir mais e melhor. Ambição e inveja provocam brigas e guerras e destroem qualquer comunidade, qualquer fraternidade.
Por isso, uma sociedade de classes nunca será cristã. A fonte de toda desgraça é a ganância, o “ter”, que faz com que mantenhamos uma sociedade de classes, em vez de construírmos uma grande família fraterna...
Por este motivo, as maiores injustiças se cometem sempre pelos que se julgam os melhores, os maiores... Esses “grandes” que acabam sendo os piores, porque estragam tudo com a sua mania de querer aparecer, de ter mais. Muita gente investe no ter, no fazer, no aparecer e, por isso, empobrece demais o seu “ser”, explorando e humilhando a pessoa do irmão com quem é chamado a formar uma comunidade fraterna. Quem se coloca em primeiro lugar, nunca pode ser seu próprio juiz. Quem o julga, é o menor, o mais humilde, o mais pobre...Quem julga um regime político, não deve ser o presidente, mas o último dos descamisados, o mais pobre, o mais carente.
Enquanto num país existem pobres e miseráveis, esse país não pode ser chamado de “cristão”, nem de “justo”. São os pobres a prova clara e viva daquilo que falta, daquilo que não é justo nem honesto na sociedade, pois se houvesse justiça nessa sociedade, não haveria pobres...
A riqueza exorbitante do rico insulta o miserável, a violência e opressão é denunciada pelo indefeso. Para quem está batendo, para quem está por cima, tudo parece vantagem, tudo é bom e divertido, mas quem apanha e está por baixo, é que acusa o outro pelas suas próprias feridas, pela sua miséria. E a arma do poderoso, do rico, do opressor se torna então a difamação, a desmoralização, a calúnia: “o pobre é pobre porque é preguiçoso, não porque é explorado. O doente é doente, por sua culpa, não pelo sistema...” O regime sempre está certo, sempre está com a razão; quem está por cima, sempre faz suas leis injustas, mas é o pobre, o pequeno, que é a prova viva dessa iniquidade.
Informativo "O Precursor", ano XIII, nº 299 - Paróquia São João Batista - Conselheiro Lafaiete - MG