Neste fim de semana, depois de mais de 30 anos de carteira de motorista sem acidente, fui obrigado a fazer um curso de reciclagem na auto escola, sobre direção defensiva e primeiros socorros. Dizem que é para evitar acidentes e morte no trânsito.
Não quero discutir o mérito de tal lei e qual a real intensão daqueles que inventaram tal reciclagem, mas fiquei pensando “não é só no trânsito que da acidentes!” Esta semana ficamos chocados com um cara que deu nove tiros numa cabelereira, sua ex companheira que tinha dado oito vezes parte dele, comprovado com documentos, enquanto nenhuma instância, nem polícia, nem justiça não fizeram nada. Isso não é um caso isolado, mas diariamente mais de sessenta mulheres dão queixa de ameaça e mau trato só na cidade de Belo Horizonte.
Perante estas notícias diárias de maus tratos e morte, pensei comigo mesmo, por que não fazem também reciclagem nestes homens desequilibrados, possessivos e violentos? Por que não os submeter a um tratamento psicológico, a uma desintoxicação, a uma tratamento de humanização, de respeito pela vida e a dignidade da pessoa humana? Infelizmente a polícia diz que não pode fazer nada só depois que você foi machucado ou morto que podem intervir.
Quando alguém é condenado, deve dar umas cestas básicas e pode recomeçar. Muitas mulheres não tem nem coragem de denunciar, porque na polícia e no mundo da justiça existe muito machismo e quantas já foram humilhadas e ridicularizadas, em vez de serem atendidas com respeito e dignidade.
Na convivência conjugal, seja com esposa, seja com companheira existe muita violência, muita opressão, muita ditadura e exploração. A gente se pergunta o que leva as pessoas que juraram se amar, a tanta violência e agressividade. Sem dúvida existe a lei do mais forte que sempre usa sua força física para manipular e oprimir o mais fraco. Existe também a insegurança do homem que tem consciência de não ser um bom companheiro, de não conseguir amar a esposa como devia, então tenta submetê-la através da ameaça e agressividade. Parece que o homem tem tanto medo de ser abandonado que ele tenta amarrar a pessoa pela fome, pela necessidade de sobreviver, pelas ameaças dos filhos. Não entende o miserável que mais que ele tenta subjugar e dominar a companheira pelo medo, mais ela se afasta dele e toma antipatia dele.
Não entende ele que a única maneira de segurar sua companheira é amá-la como ela merece e precisa ser amada. Só uma pessoa doente gosta de seu opressor e ditador, mas toda pessoa normal se deixa conquistar por um amor cheio de ternura e de bondade.
Quantos homens, de tanto medo de serem abandonados, provocam aquilo que mais temem: o abandono e a solidão. Então provocam a morte da pessoa que dizem amar. A maior mentira é falar que mata por amor. Ninguém mata uma pessoa amada, mata-se a escrava que não quer mais ser escrava, mata-se a pessoa que não se deixou dominar e subjugar. Com um pouco de mel se prende mais mosquistos que com um barril de vinagre. Só o amor altruista segura uma relação.
Informativo "O Precursor" da Paróquia São João - Nº 312 - Fevereiro 2010