A economia solidária é uma nova proposta de Igreja e da sociedade. Percebemos que na medida que o capital, os meios de produção e a riqueza se concentram na mão de poucas, aumenta também o desemprego, a exploração dos poucos que tem ainda um emprego e são aterrorizados pela ameaça de serem mandados embora. A terceirização é outra praga que tira da classe trabalhadora todas as conquistas de 100 anos de luta, porque o “gato” não tem como garantir a segurança social de seus contratados.
A campanha da fraternidade deste ano veio nos lembrar que o mundo foi dado a toda a humanidade e não a alguns ricassos exploradores da mão de obra. Sabemos que todo o patrimônio das empresas foi suor dos trabalhadores retidos pelos patrões, o que se chama na linguagem economista e “plus value”. Quem se apoderou primeiro dos bens da terra se acha o dono absoluto e ainda se acha dono de tudo o que seus trabalhadores construíram. Por este motivo, sistema sustentado pelo liberalismo e capitalismo selvagem faz com que cada vez mais pessoas vivam na insegurança da simples sobrevivência. Tudo é pago, a luz, a água, o alimento, o teto, quem não tem renda não pode nem sequer sobreviver.
Por isso que o fórum social já diz que uma outra sociedade é possível e o Papa João Paulo II na sua maravilhosa encíclica sobre o trabalho humano defende uma outra forma de propriedade, quando afirma que cada trabalhador, em qualquer área que seja, deveria ser dono “de sua bancada de trabalho”. Por isso, em vez de um fazendeiro ter um montão de empregados meio escravos, se matando por um salário de fome, e enriquecendo cada vez mais o fazendeiro, que compra cada vez mais fazendas para explorar mais gente, não seria melhor ter uma cooperativa de pequenos proprietários lavradores, plantando, administrando e desfrutando juntos, com suas famílias daquilo que produzem? Em vez de patrão no estrangeiro ser dono de uma fábrica, de um comércio, não seria melhor se os próprios funcionários fossem juntos donos de seu negócio, eles teriam muito mais empenho em cuidar bem daquilo que é deles. Quem alimenta nossa população não são os grandes agronegócios que só visam a exportação, mas são os pequenos produtores ao redor das grandes cidades que abastecem estas cidades de alimento fresquinho diariamente.
Por isso, vem mais uma Romaria dos trabalhadores e trabalhadoras, com o lema muito sugestivo e verídico: CONCENTRAÇÃO e EXPLORAÇÃO, realmente mais que há concentração de terra, riqueza e poder na mão de pouquíssimos e mais que aumenta a exploração, porque estes tais ricos, poderosos não tem responsabilidade social, o seu deus é o lucro, e para satisfazer a gula insaciável deste deus, até matam se for possível, não de tiro ou facada, mas matam de fome, de raiva, de humilhação e desespero. Não vamos nos omitir, 1º de Maio é o nosso dia, dia de todos aqueles que vivem de salário e também de todos os desempregados, subempregados, biscateiros e trabalhadores informais. Vamos nos organizar para em colaboração mútua, não precisar mais tanto dos grandes, dos importantes. Tendo juntos nossos meios de produção e sustentando-nos mutuamente seremos livres da opressão.
Mensagem do Informativo da Paróquia São João Batista - "O Precursor", nº 317, abril/2010