Obra de Lucas - tema 37 - O povo pertence ao Deus da vida
Jesus continua a se confrontar com os poderosos que, da cidade, mantém o povo submisso ao sistema de exploração e opressão. Já se pode prever o fim desse grande confronto: os poderosos irão matar Jesus mas ele se tornará o núcleo ao redor do qual reunirá o povo de Deus(20,9-19). E esse povo estará liberto, não pertencendo mais nem aos poderosos da nação nem aos poderosos do estrangeiro. Ao contrário, pertencerá ao Deus que liberta para a vida criando germe de uma nova sociedade e de uma nova história. Começa então uma nova fase da história, onde o povo se reunirá ao redor do Deus da vida que não quer a morte e o sacrifício, mas a liberdade e a vida. Isso é muito mais do que o próprio povo esperava com efeito, Jesus não é apenas o filho e o herdeiro de Davi, que iria estabelecer a monarquia gloriosa de Israel. Jesus é o filho do Deus da vida. E veio pra dar vida a todos. E o povo deve estar atento para não ser enganado pelos que possuem o poder do saber, mas usam apenas em proveito de si próprios. Doravante, o único saber genuíno é o que leva o povo à liberdade e à vida. As autoridades vão matar Jesus( 20,9-19) Com a parábola dos vinhateiros assassinos Jesus mostra que está plenamente consciente do que está acontecendo e vai acontecer. Os vinhateiros são os chefes religiosos do povo. A missão deles era fazer o povo produzir para Deus. Em vez disso, porém, eles usavam o povo para o próprio proveito, matando todos aqueles (empregados = profetas) que os criticavam. Por ultimo, matam também o filho do patrão, que é Jesus. É o que irá acontecer. O fará Deus? Arrancará o seu povo (vinha) da mão desses vinhateiros e o entregarão a outros administradores. De agora em diante o povo de Deus vai se reunir ao redor d Jesus, que é a pedra principal de uma nova construção. A crítica era direta às autoridades religiosas, e lãs entenderam muito bem, a ponto de quererem prender Jesus. Mas ainda não é o momento. Entre Jesus e as autoridades está o povo, servindo de proteção. Novamente percebemos o conflito fundamental, que está entre o projeto de Deus e o comportamento das autoridades religiosas. Na raiz do conflito temos o fato de que essas autoridades tentam de todos os modos apoderarem-se daquilo que pertence a Deus. O povo pertence a Deus (20,20-26) Outra armadilha. A moeda do tributo era um sinal da dominação romana. É lícito ou não pagar esse tributo? Se Jesus responde que não, será acusado de subversivo. Mas Jesus escapa da armadilha. A frase “dêem a César o que é d César, e a Deus o que é de Deus” revira totalmente a questão. Jesus reconhece que o Estado tem uma função, mas esta não é a de tomar posse do povo. O povo não deve ser considerado como mercadoria, seja nas mãos do Estado nacional, seja nas do Estado estrangeiro. O povo pertence a Deus, e Deus o liberta para a vida. Embora pertença a Deus, nem mesmo Deus toma posse dele ou o explora. Pelo contrário, Deus o faz viver. É isso que o Estado deveria compreender. Sua função é salva-guardar a liberdade e a vida do povo. Contudo, quando o Estado compromete a liberdade e a vida do povo, ele perverte a sua função e se torna intrinsecamente mau. Jesus não veio estabelecer uma monarquia (20,41-44) Naquele tempo o povo esperava a libertação, e esta viria quando um descendente d Davi assumisse o poder e refizesse o reino glorioso de Davi. Uma restauração nacional. Mas Jesus recusa essa concepção. Ele é mais do que um filho de Davi, pois o próprio Davi o chama de Senhor. Em outras palavras, o projeto de Jesus não é o de uma mera restauração nacional, seguindo o modelo dos projetos deste mundo. Sua missão é para todos, e consiste em levar todos à liberdade e à vida, constituindo o Reino de Deus, e não o reino de Davi. O perigo, porém, é entender o Reino de Deus como uma monarquia absoluta e servir-se disso para explorar e oprimir o povo, em vez de liberta-lo e levá-lo à vida. Será que esse mal-entendido acontece na história? Cuidado com os donos do saber (20,45-47) Os doutores da Lei ou escribas eram os intelectuais daquele tempo. Cabia a eles o estudo e a explicação da Escritura, a formulação e a aplicação das leis e, assim, todos os campos da vida caíam sob a influência deles. Tal concentração do saber formava o seu poder. Mas, para que o usavam? Para o povo? Não. Usavam-no para seu próprio proveito e para garantir seus privilégios e mordomias dentro do sistema. Tudo acobertado pela máscara da fidelidade e da piedade, é claro, como forma de se justificar e de enganar o povo. Dentro de uma situação injusta os intelectuais têm que fazer uma opção, e em geral já a fizeram. Ou usam o seu saber para promover o povo, levando-o à liberdade e à vida, ou o usam para reforçar o sistema que explora e oprime o povo. A escolha é crítica, pois as conseqüências são sérias: nenhum intelectual a serviço do povo gozará de prestígio e ficará rico. Pelo contrário, terá a mesma sorte que o povo a quem ele procura dar voz. Todavia, o que é preferível? Repartir com o povo ou repartir com os poderosos? Aprender com a sabedoria do povo ou acumular montanhas de erudição? O saber é bom quando conduz à liberdade e à vida. Esse é saber que Deus revela aos pobres e fracos. Se os intelectuais quiserem chegar à sabedoria, precisarão entrar na escola do povo. Mande sua reflexão para nosso e-mail.
Monitoras – Silvana e Rachel
Autor: webmaster
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6/9/2008
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