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Obra de Lucas - tema 38 - O horizonte da historia

Jesus continua em Jerusalém, o centro da vida econômica e política, e também o centro que explora e oprime o povo. Em meio às criticas aos poderosos, levanta-se agora a sentença final sobre o destino de Jerusalém: a cidade será tomada pelos pagãos e o Templo será destruído. É a mesma sentença que os profetas antigos proferiram. Jesus a retoma, mostrando que a história do antigo povo de Deus vai terminar. Mas isso não significa o fim. Daqui para a frente continua a história do novo povo de Deus, aberto a todas as nações.
 Lucas escreveu o seu evangelho depois da destruição do Templo e da tomada de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C. assim sendo, ele não faz uma profecia, mas uma revisão do passado para responder às perguntas que a comunidade cristã de faz diante dos acontecimentos.

QUAL A VERDADEIRA ATITUDE RELIGIOSA? (21,1-4)
 No Templo Jesus vê as pessoas fazendo ofertas. Cada ofertante dizia em voz alta a quantia que estava dando. Os ricos depositavam quantias vultosas. A viúva dá apenas duas moedinhas. O fato de serem moedinhas fala a sua pobreza, e o fato de serem duas demonstra a sua generosidade.
 O elogio de Jesus deixa claro qual é a verdadeira atitude religiosa.
Ele quer uma resposta total da pessoa, que englobe toda a sua vida. Em outras palavras, Deus não quer ficar trancado num canto de nossas vidas, recebendo o resto. Ele quer iluminar tudo e participar de tudo. Os pobres podem entender isso. Os ricos, porém, jamais entenderão, porque isso forçaria a praticar a justiça e, portanto, a perder toda a sua riqueza.

O FIM DE JERUSALÉM NÃO É O FIM DO MUNDO (21,5-11)
 Todo o capítulo 21 se passa no Templo. As pessoas admiram a construção e os dons ofertados em pagamento de promessas. Jesus, porém, acaba com o fascínio, anunciando que tudo será destruído e tomado pelos romanos. Cumprira-se o que os profetas e Jesus tinham anunciado. Contudo, o ataque dos romanos entre 66 e 70 d.C. provocara muitas perguntas nos judeus e nos cristãos. Teria chegado o tão anunciado fim do mundo? Não, responde o evangelho. Isso não é o fim. É o fim apenas de uma fase da história, o tempo de Israel, o antigo povo de deus. Antes do fim, anunciado nos vv.10-11, virá o tempo do novo povo de Deus, aberto a toda a humanidade e fundado na palavra e na ação de Jesus. Antes do fim deverá ser anunciado o reino da justiça. Será a última chance para todos.

ANTES DO FIM, O TESTEMUNHO (21,12-19)
 Antes do fim do mundo virá o tempo do testemunho.Testemunhar o que? A palavra e a ação de Jesus, ou, em outras palavras, a justiça do reino, que provoca a transformação radical da sociedade, atingindo até as relações econômicas e políticas. Isso provocará a perseguição, porque os ricos e poderosos se sentirão ameaçados pelo testemunho dos cristãos, e procurarão a todo custo abafar ou distorcer o verdadeiro testemunho cristão.
 E o que os cristãos deverão fazer, quando perseguidos? Não se preocupar. Os adversários não conseguirão responder contra a sabedoria que vem da busca e da luta pela justiça. os cristãos deverão resistir, firmes, mesmo que os próprios familiares os persigam. O que sustentará é a providência de Deus(21,18) e a solidariedade da comunidade. O perigo será desistir de tudo para “salvar a pele”. Quem viu a verdade não pode mais voltar atrás. “É permanecendo firmes que vocês irão ganhara a vida!”(21,19).

A HISTÓRIA DE UM NOVO POVO DE DEUS (21,20-24)
Lucas descreve a tomada de Jerusalém realizada entre os anos 66 e 70 d.C. Ao invés do fim do mundo ou fim da religião, esse acontecimento marcará o início de uma nova fase para o povo de Deus. Este não será mais fechado dentro das fronteiras de um povo separado dos pagãos. Agora o povo de Deus, seguidor de Jesus, viverá no meio dos pagãos como fermento que transforma todas as relações. Deus e Jesus não ficarão preso dentro de um país ou raça. Pelo contrário, o Espírito de Deus e de Jesus, que age através dos cristãos, levará o conhecimento de Deus e do seu projeto a todos, convidando a todos para formar o povo de Deus.

O FIM DA HISTÓRIA É O JULGAMENTO (21,25-28)
 A tomada de Jerusalém pelos romanos manifesta e antecipa o julgamento que Deus vai sempre realizando no decorrer da história. Esse julgamento é a manifestação da verdade e das conseqüências das opções de vida de cada um.
 O Filho do Homem, que vai realizar o julgamento (ver Daniel 7,13-14), é o próprio Jesus. Através da sua morte e ressurreição, testemunhadas pelos discípulos, é que se realizará o julgamento. Então aparecerá a verdade e a libertação, porque o testemunho deixará claro que a sociedade que persegue e mata o justo e o inocente é uma sociedade perversa e alicerçada na injustiça. Para tal sociedade o testemunho cristão é perigoso, porque ele denuncia todos os mecanismos e estruturas que esmagam a vida do povo.

PARA ISSO, ESTEJAM SEMPRE ATENTOS (21, 29-38)
 O final do capítulo é um aviso para a comunidade: fiquem vigilantes” é a mensagem da parábola de 21,30: os brotos das árvores anunciam o verão. Da mesma forma, os acontecimentos (testemunho, perseguição, julgamento) mostram que o Reino de Deus está se aproximando. Mas não idealizemos muito esse Reino. Ele é a justiça que denuncia e anuncia, provocando transformações em todos os níveis das relações humanas. Neste sentido, o Reino se aproxima sempre que justiça triunfa, criando relações humanas. Neste sentido, o Reino se aproxima sempre que a justiça triunfa, criando relações determinadas pelo espírito de partilha e fraternidade,dando possibilidade a todos de se usufruírem a liberdade e a vida.
 Mas a comunidade, porém, deve sempre tomar cuidado para não relaxar, pervertendo o testemunho e acabando por assumir os vícios provocados pela sociedade injusta (insensibilidade, gula, embriaguez, preocupações da vida).Em outras palavras, professar teoricamente uma fé na justiça, mas praticamente viver na injustiça. O dia do julgamento virá com armadilha – não porque ele é o dia do fim do mundo. De fato, o julgamento está sempre se operando na história. A cada momento a injustiça vai sendo desmascarada e os injustos são pegos de “calças curtas”. A comunidade deve, portanto, estar sempre de prontidão, vigiando e praticando a justiça. Enfrentará dificuldades e perseguições. Sua força virá da vigilância e da oração, que significa estar sempre se refontizando no projeto de Jesus. Somente a sua perseverança na prática e no anuncio da justiça lhe permitirá ser considerada justa e inocente no dia do julgamento (ficar de pé).
 Lucas encerra (21,37-38) salientando que Jesus anuncia tudo isso no Templo, onde ensinava todos os dias. Curioso. Jesus usa a instituição para anunciar o fim da própria instituição; usa as estruturas religiosas para criticá-las e anunciar a sua superação...



Autor: webmaster
E-mail: webmaster@parsantacruz.org.br

6/9/2008
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