Obra de Lucas - tema 39 - O grande Confronto
A atividade de Jesus na Galiléia, seu progressivo confronto com a religião e a sociedade e, finalmente seu confronto com os poderosos de Jerusalém provocaram serias conseqüências.Chegou o momento de pagar o preço por anunciar a nova historia e a nova sociedade, construída pelos pobres e marginalizados.Os poderosos compreendem que essanova historia ameaça os seus privilégios, e reagem drasticamente. É verdade que Jesus vai sofrer e morrer, cumprindo o projeto de Deus e confiado a ele (22,22).Isso, porem, não quer dizer que o sofrimento e a morte façam parte desse projeto.Deus quer a liberdade e a vida, e não o sofrimento e a morte.Sofrimento da resistência de uma sociedade que rejeita o projeto de Deus.
O Grande Confronto(22,1-6)
Entre os judeus era celebrada na noite do dia 15 do mês de Nisan, o primeiro dos set dias dos pães sem fermento (Ázimos).Começa o grande confronto com as autoridades religiosas: chefes dos sacerdotes e doutores da Lei.Queriam acabar com Jesus, mas tinham, medo do povo que seguia e acolhia Jesus (ver 20,19). É o “tempo oportuno” anunciado em 4,13:Satanás volta com o ultimo ataque, através de Judas, um dos apóstolos.Judas, que acompanhou Jesus durante toda sua atividade, se dispõe a traí-lo por dinheiro.Quanto?Não se diz, mas sabemos que todo homem tem seu preço.O importante é que qualquer um de nós, por mais compromissado que esteja com Jesus,pode se tornar um traidor.Qual seria o nosso preço?Em troca do que estamos dispostos a trair Jesus e o seu projeto?
A Páscoa da libertação(22,7-13)
Tudo vai acontecer na comemoração da Páscoa, festa fundamente para o povo de Deus.De fato, essa marcava a memória com a lembrança da libertação da escravidão no Egito para uma vida nova e livre(ver Êxodo 12).Lucas lembra que é o dia da matanças dos cordeiros para a Páscoa.É uma alusão a Jesus com cordeiro:sua morte selará a passagem definitiva da escravidão para a liberdade, da morte para a vida.Os preparativos solenes, portanto, visavam a marcar profundamente o dia em que foi celebrada a grande páscoa para toda a historia.Desse dia em diante todo o regime da escravidão esta voltado para o fracasso.Daqui para frente a historia caminha para um futuro preciso:o dia em que todos poderão usufruir plenamente da liberdade e da vida.Trata-se, portanto, de caminhar para a frente ou de voltar para trás...
Eucaristia: memória e presença da libertação definitiva (22,14-23) O texto de Lucas é bastante parecido com o de Paulo em 1 Coríntios 11, e ambos provavelmente refletem as celebrações da Igreja de Antioquia e das comunidades paulinas. É momento solene: salienta-se a “hora” e os discípulos, são chamados de apóstolos. O texto de Lucas é complexo, porque ele superpõe a celebração judaica da Páscoa(22,15-18) e a celebração cristã da Eucaristia (22,19-20). Ele quer mostrar que a Eucaristia cristã substituía a Páscoa judaica, assumindo o significado ao máximo. Dessa forma, a Páscoa assume um significado universal, e a libertação que ela registra é uma libertação total para todos. O cordeiro pascal é substituído na Eucaristia pelo pão e o sangue-vinho do cordeiro é substituído pelo vinho-sangue de Jesus. Mas o que significa Eucaristia? O supremo dom do amor de Deus em Jesus, que entrega o seu próprio corpo e derrama o seu próprio sangue. Com isso ele testemunha até o fim a sua fidelidade ao projeto de Deus, mostrando o caminho para todos os que se dispuserem a segui-lo. A Eucaristia celebrada em memória de Jesus é a lembrança continua e ao mesmo tempo a presença do gesto que sela a fidelidade de Jesus e daqueles que o seguem. Sua celebração nas comunidades cristãs é a lembrança do preço da fidelidade: a morte ou dom da própria vida. Não que Deus queira isso. A morte de Jesus e de todos que o seguem é a conseqüência provocada por todos aqueles que rejeitam o testemunho da justiça que luta pela liberdade e pela vida para todos. E cuidado! O traidor também esta participando dessa celebração. Quem é ele? Jesus sabe, mas não conta. E a ansiedade toma conta de todos que até hoje participam da Eucaristia. Serei eu? Será você? Quem é que vai trair Jesus e seu projeto?
O maior é aquele que serve (22,24-30)
Em meio à Páscoa-Eucaristia, surge a questão: quem é o maior? Sinal que os apóstolos não entenderam nada. Não perceberam que a justiça produz a igualdade e esta se manifesta como partido e fraternidade. Pelo contrario desejo é um poder. Em resposta, contrapõe o costume das nações (reis) e o que deverá ser a sua comunidade: o maior será como o mais novo, aquele que governa será como o que serve. Dessa forma, Jesus inverte completamente o esquema do poder. Não se trata mais de agir com o pano de fundo da desigualdade, mas com o da igualdade. Em vista da igualdade o poder de dominação sede o seu lugar ao poder do amor, que não se impõe pela violência nem produz dominação. E Jesus é o modelo. Ele é o maior, mas está entre todos como aquele que serve, então certamente saberemos respeitar a todos. E mais: é aquele que serve que sentara como Juiz para julgar o povo de Deus!
De traidor a chefe (22,31-34)
Costumávamos ficar impressionados com a traição feita por Judas Iscariotes, e nos esquecemos da que foi feita por Pedro, igualmente séria, e até mais radical: Não só vai negar a Jesus, mas até vai negar que o conhece! E isso nos faz pensar. Até o líder dos discípulos traiu a Jesus. Será que a traição é necessária ao amor? Da traição Pedro se converte, e depois da conversão se torna o líder que fortalece os outros seguidores de Jesus. Mas fica sempre em aberto a pergunta: Será que a traição é necessária como provação para a fidelidade ao amor? Será que ela é necessária para o próprio amadurecimento do amor? Parece que sem o contraste das trevas não conseguimos enchergar a luz.
È hora de luta (22,35-38)
O fim do caminho de Jesus é difícil e trágico, pois Ele vai ser incluído “entre os fora-da-lei” isto é, como criminoso social. O caminho exige, pois, resistência e luta. Na primeira missão (10,4-7) nada faltou. O primeiro anuncio é alegre e compensador. Mas as conseqüências são duras: perseguição, traição, prisão, tortura, morte. É hora de luta. A espada é simbólica: lembra a resistência e a ousadia de não voltar atrás. Entenderemos agora porque Jesus havia dito que o Reino é conquistado pelo esforço e violência (16,16). Não se trata da violência que abafa ou destrói a vida, mas daquela que força o caminho para que a própria vida se manifeste. É a atitude daqueles que estão convencidos de que vale a pena lutar para que todos conquistem a liberdade e a vida. Os discípulos parecem não entender. Arranjam duas espadas materiais, as mesmas armas que os poderosos multiplicam a escravidão e a morte. “É o bastante!”, ou melhor, “basta” – responde Jesus, talvez com um sorriso levemente irônico. Os discípulos entenderão mais tarde...
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Monitoras – Silvana e Rachel
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6/9/2008
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