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Entre a fé e a fraqueza - Reino de Judá

Em 931 A.E.C.; as dez tribos do norte se revoltaram contra o regime extremamente opressor decretado pelo o filho de Salomão, formando o reino de Israel. O domínio da dinastia davítica reduziu-se ao território de Judá, com a parte da antiga tribo de Benjamim, que lhe era vizinha. Esse reino, situado no sul, passou para história com o nome de Judá.

Cisma político: Foi causado por discordâncias do sistema de governo. As tribos do Norte, penalizadas com os tributos no regime de Salomão, reivindicavam um sistema igualitário e menos opressor. A falta de experiência política de Roboão, anunciando um governo ainda mais opressor, provocou a revolta e consolidou a dissidência entre as duas regiões. Surgiram, então os dois reinos

Cisma religioso : O Norte organizou seu próprio sistema religioso,inicialmente fiel ao Senhor, mas fazendo concessões cada vez mais perigosas à influência do baalismo, a ponto de perder sua identidade como religião dos pais da fé.
Em Judá, os grandes modelos que passaram a centralizar o interesse dos sulistas foram suas instituições, sua cidade, seu rei e seu Templo. Eles gozavam de uma promessa divina de eleição, estabilidade e permanência para sempre.O Senhor escolhera Jerusalém para habitar, o rei para governar o seu povo e o Templo para ser cultuado.Isso dava muita segurança. As instituições de Judá significavam a garantia da assistência do Senhor.A garantia da assistência divina tinha uma condição básica: o seguimento dos preceitos da Aliança, os estatutos e decretos do Senhor.Eles não continham exigências meramente cultuais,mas sim fortemente éticas o “Código Deuteronômico”.Essa Aliança era simbolizada pelas tábuas de pedra colocadas na Arca, que repousava solenemente no recinto mais sagrado do Templo, o “Santo dos Santos”.A Arca da Aliança era, de um lado,a recordação da eleição de Israel pelo Senhor, de seu amor e proteção,de sua benção,e, de outro lado, o memorial da exigência de fidelidade do povo ao projeto de sociedade desejado pelo Senhor.Esse projeto de sociedade estava expresso nas Leis dadas a Moisés, cujo miolo são os Dez Mandamentos e cuja exigência de fidelidade se resume no Shemá. “Ouve ò Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!Portanto, amaras ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4-5).
Tal exigência de fidelidade não se perde,porém, no anonimato da massa ou do conjunto da sociedade.É também pessoal, compromete o indivíduo e a família.Por isso,além do símbolo da Arca com as tábuas da Tora no Templo,cada indivíduo tinha de carregar consigo um memorial particular da Lei de Deus.Algo que o lembrasse sempre do seu compromisso com o Senhor .Daí o Shemá continuar “Que estas palavras que hoje te ordeno estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus filhos e delas falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé.Tu as atarás também à tua mão como um sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6,6-9). Desse jeito não dava para esquecer.O povo não tinha desculpa para não ser fiel à Aliança.Da fidelidade de todos,pois, derivava a garantia da assistência do Senhor.

Reis de Judá: Após a separação do Norte, em 931, o reino de Judá não teve grandes problemas políticos ou econômicos a enfrentar. Mas não ficou isento de problemas com seus vizinhos.No tempo de Roboão, primeiro rei de Judá (Aprox. 931-913 a .E.C.), o faraó Sesac, do Egito, atacou e saqueou Jerusalém.Nesse tempo, o luxo do antigo reino de Salomão começou a dar lugar à falta de recursos.Roboão tentou também reconquistar pela força os territórios perdidos para Israel,o reino do Norte.Por isso seu reinado foi marcado também por constantes conflitos com Jeroboão, rei de Israel.As rixas com Israel continuaram no tempo de Abiam(913-911) e Asa(911-870) (1Rs 15,7.16) O ponto alto do conflito de Acaz(736-716), quando Facéias, rei de Israel, aliado a Rason, rei de Damasco, atacou Judá,tentando forçar Acaz a entrar na guerra contra a Assíria(2Rs 16,5;2Cr 28,5-8)
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A causa da queda:os cultos cananeus a Baal:
O reino de Judá não teve a prosperidade de seu vizinho do norte, mas não a invejava, pois tinha a firmeza de suas instituições, que faltavam a Israel.Mas correu sempre o único risco que acabou por leva-lo também à ruína: a continuidade dos cultos cananeus em Judá. Diante deste risco os reis de Judá adotaram posições diferentes, que serviram depois de critério para avaliar os seus governos.Alguns reis chegaram mesmo a promover e adotar estes cultos:Roboão –Construiu lugares de culto, altares e monumentos sagrados “sobre toda colina elevada e debaixo de toda árvore frondosa”.Além disso, não só tolerou, mas até mesmo restabeleceu os prostitutos sagrados.
Abiam :-Imitou os pecados que seu pai cometera(1Rs 15,3). Jorão - Imitou o comportamento dos reis de Israel(2Rs 8,18).Seu filho Ocozias(841) fez o mesmo(2Rs 8,27).Acaz (736-716) até sacrificou seu filho no fogo (2Rs 16,3).Manasses(687-642) foi quem mais promoveu os cultos cananeus em Judá, introduzindo-os no próprio Templo do Senhor, em Jerusalém(2Rs 21,2-9). Seu filho Amom (642-640) continuou essa política (2Rs 21,21-22).De todos os reis de Judá, somente dois adotaram uma posição de combate ferrenho a toda forma de culto que não fosse ao Senhor. São os reis reformadores, Ezequias (716-687) e Josias (640-609).

As viradas na política
Desde a separação do Norte, os reis de Judá tentaram reconquistar seu território.Mas as coisas começaram a melhorar sono reinado de Ozias:com o enfraquecimento do poder do Egito, este rei pode restabelecer seu poder sobre as regiões mais ao sul, que haviam sido tomadas pelos egípcios.
No tempo de Acaz(736-716), o poder da Assíria já tinha se firmado de novo na região. Judá sobreviveu à invasão assíria que destruíra Samaria em 721,mas viu-se cada vez mais acuado pelo poderio inimigo.Israel e Damasco se uniram numa coligação militar contra a Assíria e queriam arrastar,nessa coalizão, também o reino de Judá, peça importante para o sucesso da operação antiassíria.
O profeta Isaías, nessa época, aconselhou a estrita neutralidade, criticando o pacto com estrangeiros e propondo a absoluta confiança no Senhor.Os reis dos dois países vizinhos de Judá –Facéias(Israel) e Rason (Damasco) – atacaram Judá para pressionar Acaz a entrar na coligação. Mas o rei acabou cedendo à pressão do grupo pró-assírio e fez um acordo com os assírios, tornando-se vassalo mediante pagamento de tributos.Os profetas Miquéias, e Isaías viram nisso as conseqüências do abandono da Aliança do Senhor por parte de Judá.

Tentativa de reforma:retomada da subida
O rei Ezequias (716-687), advertido pelo que aconteceu com o reino do Norte, quis melhorar as coisas promovendo uma reforma religiosa de combate aos cultos cananeus(2Rs18-4).Promoveu a purificação do Templo, retirando de lá os objetos “impuros”, isto é os cultos cananeus tolerados ou adotados pelos reis predecessores e seus sacerdotes.Realizou uma celebração de expiação pelos pecados.Daí, restaurou o culto legítimo,que tinha sido desvirtuado.Convocou uma celebração da Páscoa,que já devia estar esquecida.Reformou também o clero,restabelecendo a ordem instituída por Salomão,conforme prescrevera o próprio Davi.
Depois de Senaquerib,a Assíria foi perdendo,pouco a pouco, o domínio sobre os territórios conquistados.Ao mesmo tempo outra nação começava a despontar no horizonte da política internacional com vocação para assumir o controle de um grande império:a Babilônia.

Voltam a impiedade e a violência.
Antes que os babilônios chegassem, Judá conheceria ainda uma fase difícil: os dois reis seguintes, Manasses (687-642) e Amom (642-640) foram terrivelmente ímpios.Promoveram abertamente os cultos cananeus. Manasses foi extremamente violento, exercendo uma política de opressão pesada em cima do povo (2Rs 21,1-9.16.19-22).Amon continuou a linha de seu pai.Amon foi assassinado por seus próprios servos, que queriam tomar o poder, valendo-se da insatisfação popular.Mas havia uma parte do povo que desejava mudanças no governo, porém defendia à dinastia davídica.Esse grupo era denominado “povo da terra”.Ele eliminou os rebeldes que haviam assassinado o rei e entronizou seu filho Josias, que ainda era uma criança.
Josias (640-609) foi proclamado rei com apenas oito anos de idade.Durante seu reinado foram realizadas reformas .
O primeiro campo de reformas era a política. Buscava-se a centralização do poder em um só re, uma só capital, e voltava o ideal de um só reino, como no tempo de Davi.Josias conseguiu reintegrar os territórios do antigo reinado de Davi reanexando uma parte do extinto reino do Norte.

Reforma religiosa: Josias empreendeu uma profunda reforma religiosa em Judá, começou pela reforma no Templo, desfazendo todas as obras em favor do baalismo.Durante estas reformas foi encontrado o livro da Lei do Senhor.Esse livro devia ser, provavelmente, o Código da Aliança, que junto a outros preceitos de caráter cultural formavam o núcleo das “palavras do Senhor a Moisés no Sinai”. Josias quis comprovar a autenticidade do livro consultando a profetisa Hulda. Essa confirmou a origem divina daqueles preceitos e reiterou as graves conseqüências para o povo no caso do não cumprimento deles (2Rs 22,12-20). O rei sentiu-se ainda mais obrigado a continuar sua reforma. O Livro da Lei tornou-se, assim, provavelmente, o braço ideológico justificador da reforma (2Rs 23,4-27).
No tocante às exigências cultuais, o livro propugnava a centralização do culto em um só santuário: Jerusalém. A idéia caiu como uma luva para a reforma desejada por Josias. Já se consolidara a idéia de um só reino, sob o comando de um só rei, descendente de Davi. Agora vai se consolidar a idéia de uma só religião sob o comando de um só Templo, o verdadeiro santuário do Senhor em Jerusalém. No mesmo lugar que ascendeu-se o clima de euforia no povo. No espírito da lei se encontrava a idéia de que o Senhor garantiria a prosperidade dos que cumprisse fielmente os seus preceitos. O empenho de todos pelo cumprimento da Aliança, era portanto, a certeza de dias melhores para o tão sofrido povo de Judá, o profeta Jeremias começou nessa época a sua atuação, dando apoio às reformas.
A ameaça da Babilônia começava a despontar no horizonte de Judá. O império assírio estava cada vez mais decadente. Essa decadência estimulou os egípcios a retomar seu domínio sobre a Síria e a Palestina.
O faraó Necao partiu, então em socorro da Assíria, atacada pelos babilônios. Mas Jozias quis impedir a passagem de Necao pelo território de Israel, combatendo contra Necao na passagem estreita de Meguido, Jozias foi morto na batalha. Com ele morreram também as esperanças do povo em um tempo de paz e prosperidade. A base da pregação religiosa da reforma de Jozias era a idéia deuteronomista de que Deus abençoaria quem respeitasse os preceitos da Aliança. A morte súbita daquele que mais defendeu essa idéia foi como um balde de água fria no povo, que apenas começava a ver como simpatia a necessidade do cumprimento da Lei do Senhor. Este foi o inicio do fim do reino de Judá.
Com a morte de Jozias, seu filho Joacaz assumiu o trono em 609 a.E.C.. Necao consegui conquistar a Síria e se considerou senhor também de Judá. Aprisionou Joacaz, que estava apenas 3 meses no poder, e o exilou no Egito, onde terminou seus dias. Constitui Rei Eliacin, irmão de Joacaz, mudando-lhe o nome para Joaquim. Este reinou de 609 a 598 a.E.C.. Necao impôs a Judá um tributo anual de 100 talentos de ouro e 100 talentos de prata. Para paga-lo, Joaquim aumentou os impostos sobre o povo. Isso provocou a critica e a oposição de Jeremias.
A Babilônia começou aumentar seu domínio avançando sob as nações da região. Nabucodonosor, rei babilônios realizou sua primeira expedição contra Judá, em 604 a.E.C.. Joaquim também teve que lhe pagar tributos por 3 anos. Tentou rebelar-se e sofreu nova investida babilônica. Com a morte de Joaquim subiu ao tronos seu filho Jeconias, sendo que este permaneceu apenas 3 meses no poder, pois os babilônios não toleram seu governo descrito como mau. Nabucodonosor sitiou Jerusalém em março de 597 a.E.C.. Aprisionou o rei e acorte, os dignatários e notáveis e os deportou para a Babilônia. Levou também os tesouros do templo e do palácio real. Deixou na terra somente a população mais pobre. Essa foi a primeira deportação babilônica sofrida por Judá.
A queda definitiva
No lugar de Joaquim, Nabucodonosor pôs no trono de Judá Matanias, irmão de Josias e tio de Joaquim


OS PROFETAS DO SUL
Desde quando começou a monarquia com Saul,apareceram também os profetas como reação dos desmandos da monarquia. Inicialmente eles se relacionavam mais com os reis,convivendo com eles no palácio. Mas nem por isso podem ser considerados “profetas da corte”,quase como funcionários do Estado. A começar por Samuel, no tempo de Saul e Davi, passando por Nata e Gad, com Davi e depois Aías de Silo com Salomão e JeroboãoI, os profetas sempre exerceram um papel crítico perante os monarcas. Durante a monarquia dividida, os profetas floresceram mais no Norte,onde as tradições javistas do tribalismo foram mais conservadas e também onde as realidades política,social e religiosa exigiam intervenções severas desses “homens de Deus”.Então, os profetas foram tomando sistância cada vez maior do rei e do palácio e se identificando mais com o povo, com os pobres, os excluídos do sistema.Assim fizeram Elias e Eliseu.No sul, durante o reinado de Salomão, e depois dele, não se ouve mais falar de profeta, até a segunda metade do século VIII a . E .C., quando surgiu o eloqüente Isaías, no tempo do rei Ozias(740)e seus sucessores.
Os profetas eram verdadeiros arautos do javismo, defensores da religião no seu sentido mais profundo.Eles eram uma instância crítica junto à monarquia, uma forma de “consciência popular” diante dos desmandos dos monarcas.não foi em vão que eles denunciaram o culto externo desligado da prática da justiça.Os reis de Judá encontraram a crítica e a oposição freqüentes de profetas da envergadura de Isaías e Jeremias, que exerceram seu ministério profético por três ou quatro décadas, vivendo as situações mais adversas. Isso exigiu deles uma constante fidelidade ao momento em que viviam e ao mesmo tempo à Palavra de Deus, da qual eram porta-vozes.Deviam atualizar a mensagem às novas situações , sem perder sua fidelidade ao passado.Isso não era uma tarefa fácil.
Isaías: Foi Isaías quem rompeu o silêncio, de mais de um século, na profecia de Judá.Ainda jovem, recebeu a vocação profética um pouco antes da morte de Ozias, em 740 (Is 6,1-8). Exerceu o ministério profético por cerca de 40 anos, até o ano 700 aproximadamente. Sua pregação reflete a mentalidade de quem vive na cidade (Jerusalém)e conhece bastante a vida política, a corte e as atividades do Templo. Demonstra também muita sensibilidade pelos marginalizados, pelos excluídos daquela sociedade: as viúvas, os órfãos, os sem-teto.Além disso, demonstra um conhecimento profundo da situação a sua volta, no cenário internacional.Suas intervenções, sua palavras, suas ações simbólicas eram tão densas de sentido que não esgotaram no seu tempo. Alcançaram um significado para além do próprio momento de Isaías. Assim foi interpretada a profecia de um Libertador que ele chamou de Emanuel (=Deus conosco),por exemplo (Is 7,14); do “rebento de Jessé”(Is11,1s)e da cegueira e surdez do povo (Is 29,18-19), entre outras.
Isaías foi o primeiro profeta de Judá cujas palavras foram registradas por escrito na Bíblia,em um livro que leva seu nome. Atualmente esse livro tem 66 capítulos, mas somente os primeiros 39,excetuando-se os 24-27 e 34-35, contêm as palavras do profeta do século VIII, que viveu e atuou no reino do Sul. Os demais capítulos, inseridos posteriormente na sua obra, demonstram que Isaías “fez escola, isto é, sua mensagem encontrou eco na pregação de outros profetas que lhe seguiram os passos, mesmo após sua morte.”
Miquéias e Sofonias:Outros profetas desse período, cujos livros são menores, mas não menos contundentes, criticaram a situação do pai, exortando-o à conversão. Todos eles,no fundo, propunham uma profunda mudança no estilo de vida que aproximasse mais a sociedade judaica daquele ideal delineado na Aliança com o Senhor. Assim, temos Miquéias e Sofonias como porta-vozes da mensagem divina naqueles contextos bastante complexos nos quais viveu o reino de Judá. Miquéias,analogamente a Amós, do norte, denunciava os abusos sociais,sobretudo contra os camponeses(Mq 2,1-5)do sul.Anunciava a superação do reino de Davi, já idealizado, pela esperançade um novo rei-messias (Mq 4,1-5;5,1).
Sofonias defendia o lado do povo simples, dos pobres, daqueles que viviam com retidão e justiça, contra uma sociedade que privilegiava os ricos e poderosos. Proclamava o “Dia do Senhor”em Judá como dia de manifestação do seu poder contra a infidelidade do povo idólatra, dos chefes violentos, dos comerciantes fraudulentos e dos incrédulos.Fazia um apelo à conversão, proferindo oráculos contra Jerusalém.Fez uma promessa de salvação:”rejubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel![...]. O Senhor revogou a tua sentença, eliminou o teu inimigo. O Senhor, rei de Israel, está no meio de ti”(Sf 3,14-15).

Hulda:Não podemos esquecer, nesse período, a significativa atuação da profetisa Hulda. Ela interveio no tempo de Josias, para confirmar a “autencidade”das palavras contidas no Livro da Lei encontrado no Templo e dar seu parecer favorável à reforma religiosa pretendida pelo o rei.Hulda é importante pelo o fato de ser a única mulher citada na Bíblia que exerceu o ministério profético, cujas palavras foram registradas por escrito, num livro que não levou seu nome.

Jeremias: Jeremias também deixou marcas profundas na história do reino do Sul, onde atuou também por cerca de 40 anos. De tantos profetas que previram a ruína do povo por surdez aos “oráculos do Senhor”, Jeremias foi talvez o único que teve a infelicidade de ver acontecer a desgraça que anunciara. Viveu os momentos mais eufóricos da reforma religiosa promovida por Josias e também os momentos mais dramáticos da queda vertiginosa de seu povo,após a morte do reformador, até à destruição de Jerusalém e às deportações para Babilônia.Jeremias recebeu a vocação profética ainda muito jovem, quis furtar-se a missão que lhe reservara o Senhor, certamente por intuir a responsabilidade que ela acarretava, para a qual não se sentia preparado. Mas Deus mesmo colocou-se como garantia da eficácia de suas palavras,antecipando seu socorro diante dos que, com certeza, iriam perseguir o profeta por causa de sua palavra (Jr 1,8.17-19)
Jeremias é o profeta das contradições.Embora tivesse reconhecido que o Senhor o conhecia e o consagrara antes de ser concebido no ventre materno (Jr 1,5), chegou até a amaldiçoar o dia em que nasceu (Jr 20,14-18), num momento de crise interior.E enquanto todos ansiavam por uma intervenção do Senhor para salvar o seu povo das mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia,Jeremias apregoava a rendição ao dominador estrangeiro, sendo considerado traidor da pátria (Jr 37,13). Isso não significa que Jeremias estivesse de acordo com a dominação da Babilônia, mas era a única forma de o povo não ser aniquilado e assim poder manter a sua identidade e sobrevivência, na certeza e confiança de que um dia também esse poder cairia. E, então, o resto de Israel poderia reconstruir a sua história .
No início de seu ministério profético, Jeremias apoiou as reformas de Josias(640-609), assumindo o discurso deuteronomista que representava o espírito das reformas.Após a morte de Josias, ele viu crescer, até se desviar, a valorização dos preceitos da Aliança referentes ao culto e ao Templo. A reforma de Josias propunha uma valorização dos preceitos da Lei, mas o povo levou isso longe demais, super valorizando a parte ritual e omitindo a parte ética.
No tempo de Joaquim (609-598), o Templo já se tornara um fetiche para o povo de Judá. Jeremias condenou veementemente essa perversão do dentido do Templo. Os textos de Jr 7,1-8,3 e 11,15-17 conservam as críticas do profeta à instituição do Templo e ao culto desacompanhados da prática da justiça.

Naum e Habucuc
Naum dava asas ao sentimento de alegria do povo ao ver a derrota de seu opressor, a Assíria, cuja capital, Nínive, havia sido tomada pelos babilônios em 612 a .E. C.Apesar de pouco ortodoxo, porque parece dizer “bem feito” a quem está pagando pelo mal que fez, o profeta ensina que todo opressor terá o seu dia... E renova a esperança do povonão com sentimento de vingança, mas como certeza do juízo de Deus sobre a história.
Habacuc, entretanto, um pouco mais tarde que Naum, vendo as intenções conquistadoras dos babilônios, que “puniram” os assírios, lamenta profundamente o crêscimento da violência, da guerra, que só traz miséria e sofrimento para o povo. Por mais que ficassem satisfeitos pela vingança contra o opressor, seu desejo mais profundo era a paz e a concórdia entre os povos.

Os Escritos da Época do Reino de Judá

Os livros proféticos
Já falamos dos profetas cujos escritos trazem seus nomes: Isaías, Miquéias, Sofonias, Jeremias, Naum e Habacuc. Podemos situar a redação de seus livros no contexto do reino de Judá, entre os anos 740 e 587 ªE.C., excetuando os capítulos 24-27, 34-35 e 40-66 do livro de Isaías.
Os oráculos proféticos eram, de modo geral, reunidos primeiro em coletâneas. Depois surgiram os textos biográficos e, por fim, a composição do livro segundo uma determinada organização.

Primeiro Isaías: 1-39
A primeira parte do livro de Isaías (proto-Isaías) não é obra apenas de um autor. São normalmente atribuídos a Isaías os oráculos sobre Judá e Jerusalém (Is 1-12), parcialmente os oráculos sobre as nações (Is 13-23) e no seu conjunto os “ais” contra Israel e Judá (Is 28-33). Os oráculos conhecidos como “O grande Apocalipse” (Is 24-27) e o “Pequeno Apocalipse” (Is 34-35) são considerados pós-exílicos, bem como o apêndice histórico (Is 36) tirado de 2 Rs 18,13-20,19. Esse acréscimo revela a preocupação de confirmar historicamente os oráculos anunciados pelo profeta.

Miquéias
Diversas mãos colaboraram até a redação final do livro de Miquéias. São atribuídos a esse profeta do século VIII, os capítulos 1-3 e 6,1-7,6. Neles aparecem oráculos de aneaça e condenação contra Israel e seus chefes exploradores como: “aqueles que comeram a carne de meu povo, arrancaram-lhe a pele [...]” (Mq 3,1-3). Outros textos como 2,12-13 e 7,8-20 são situados no pós-exílio, na época do retorno à terra. Enquanto os capítulos 4-5 são de difícil localização e trazem promessas de salvação para Sião.

Sofonias
O livro é pequeno. Depois da apresentação do profeta (Sf 1,1), fala do Dia do Senhor como “um dia de ira” contra Judá e Jerusalém (Sf 1,2-2,3), contra as nações vizinhas (Sf 2,4-15), contra Jerusalém, a cidade rebelde (Sf 3,1-8). Mas o profeta abre também o espaço para uma promessa de salvação: “[...] darei aos povos lábios puros, para que todos possam invocar o nome do Senhor[...]” (Sf 3,9). O livro passou por diversas mãos, em períodos diferentes até sua redação final.

Naum
O livro de Naum apresenta no prelúdio um salmo sob a ira do Senhor e sentença proféticas contra Judá e Ninifi, depois a destruição de Ninifi, capital da Assíria que arrazou com o Reino de Israel.

Habacuc
O livro apresenta duas partes. A primeira aparece o dialogo entre Deus e o profeta. O tema central é justiça de Deus na história. Não aparece no texto uma solução teórica nem pratica para o problema. O impasse é superado pela atitude de fé do profeta. Na segunda parte, o profeta fala sobre a avidez dos conquistadores, dos que enriqueceram por meio de ganhos ilícitos, da política de violência, do cinismo dos conquistadores e da idolatria. Por fim, o profeta faz um apelo à intervenção do Senhor por meio de uma oração de lamentação.

Jeremias
Formação do livro de Jeremias é muito complexa, tendo passada por diversas mãos. Há um consenso em atribuir ao profeta os oráculos em poesia proferidos contra Judá. Os textos que narram a espécie de biografia de Jeremias foram elaborados pelo seu secretário Baruc. O livro provavelmente foi escrito no exílio da Babilônia.

Baruc
O livro de Baruc não se encontra na Bíblia Hebraica e sim na Grega. É obra de muitas mãos. Inicia-se como uma introdução histórica que apresenta Baruc lendo para os exilados na Babilônia. O livro é uma exortação e consolação aos exilados.

Os textos que deram origem à obra Deuteronomista

Corrente teológica de pensamento dentro da Bíblia. Essa obra abrange inicialmente os atuais livros do Deuteronômio, Josué, Juizes, os Dois Livros de Samuel e os Dois dos Reis. Pretendia fazer uma recapitulação de toda a história de Israel, desde a partida do Sinai até o último Rei de Judá na época da deportação para a Babilônia.

Escritos sobre a época:
1Rs 14 a 2Rs 25
2Cr 10-36
Eclesiástico 48,17-49,7

Mande sua reflexão para nosso e-mail.

Monitoras – Silvana e Rachel



Autor: webmaster
E-mail: webmaster@parsantacruz.org.br

21/5/2007
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