Fé e Revelação
Uma das suas características que diz mais a respeito da pós-modernidade é uma consciência do Pluralismo em todos os níveis de reflexão acerca da humanidade: Sua Natureza, Sua História, Seu propósito, seu Deus. Como a Teologia da Igreja reflete o mundo em que se situa, o pluralismo caracteriza a Igreja em Larga medida. A Teologia cristã é uma disciplina pluralista, e esse pluralismo atinge cada Igreja com sua respectiva denominação. As poucas premissas partilhadas por todos os teólogos com freqüência não são suficientes para assegurar a compreensão Mútua, e estão longe de permitir o consenso. Como conseqüência, torna-se determinante que uma afirmação teológica construtiva se inicie por um esboço de suas pressuposições e premissas fundamentais. È necessário fazer algumas distinções concernentes á própria Teologia, da qual a Cristologia é um tratado. A definição do lugar de Jesus Cristo no âmbito da fé e da Teologia será importante ter uma clara concepção do lugar de Jesus de Nazaré no âmbito da fé Cristã. A Luz da discussão precedente, espero poder esclarecer a centralidade da Cristologia no âmbito da Teologia Cristã. A definição etimológica da Teologia como discurso acerca de Deus encobre profundas diferenças de concepção e de prática. È necessário distinguir as fontes da Teologia e estabelecer as distinções que ajudarão a situar o discurso Teológico. Três lugares fundamentais para a Teologia são a fé, a revelação e a escritura. Há de se acrescentar aos três acima um quarto que é o caráter simbólico da Linguagem Teológica. A Fé é uma forma Universal da experiência Humana. A Fé religiosa envolve uma experiência religiosa que implica a consciência da realidade última ou transcendente e a lealdade a ela. Infelizmente o termo experiência tornou-se problemático, por sua generalidade e vagueza. Em seu sentido primordial, a Fé é uma resposta humana elementar e existencial, de sorte que, quando dizemos que a Teologia repousa sobre a Fé, em última instância sempre nos remetemos a alguma experiência Humana existencial em sua origem. A Fé não é um conhecimento, embora seja cognitiva. A transcendência de seu objeto explica um aspecto de uma fé especificamente religiosa. Não obstante, o comprometimento religioso com um transcendente desconhecido pode ser cognitivo. Tal convicção não pode ser demonstrada, por isso implicaria conhecer objetivamente o objeto da Fé. Os detentores da Fé religiosa consideram-na autolegitimada. Se a Fé fosse um conhecimento objetivo circunscrito por nosso mundo, o objeto da Fé deixaria de ser transcendente, e, se a Fé fosse não cognitiva, seu verdadeiro objeto seria ou a própria humanidade ou algum outro objeto finito e, portanto, intencionalmente Ilusório. Ambas as imputações, por vezes são formuladas contra a Teologia: A primeira de idolatria, a partir do interior da disciplina, a segunda de projeção, a partir de fora, parecem igualmente destrutivas daquilo que a Teologia pretende. As crenças são expressões de Fé, e como tais se distinguem da Fé. Essa distinção, que é típica da moderna guinada da Teologia em direção ao sujeito, tem sido atacada por ser extremamente individualista em sua concepção dos fundamentos da religião e da Teologia, e por não ter consciência suficiente das diferenças histórias da própria Fé. Geralmente, a Fé envolve a Fé coletiva de uma comunidade. Embora se correlacione com uma profunda dimensão da consciência e do engajamento humanos, a Fé é suscetível de distinção, mas nunca de separação, das crenças que expressam o objeto da Fé em forma propositiva. Não que a Fé seja inatingível pelas crenças, pois Fé e crença determinam-se dialeticamente, o que ocorre é que a Fé pode preservar certo grau de identidade autônoma em meio a diferentes expressões de crença. É possível relacionar-se com Deus como criador, independentemente de o Gênesis ser ou não uma narrativa histórica da criação, as crenças, podem mudar, ao passo que a Fé, em seu nível mais profundo, permanece constante, mesmo que se modifique, sem tal distinção, uma Teologia que fosse, a um só tempo, fiel a norma histórica e livre para inculturar-se em uma variedade de formas históricas tornar-se-ia impossível. Em termos cristãos, a revelação é a presença de Deus encontrado na Fé, sempre de modo que Deus tome a iniciativa em liberdade: Revelação é Auto Presença, autocomunicação e autodoação de Deus. Por ser correlativa à Fé, a revelação compartilha uma estrutura paralela. Em outras palavras, ao falar da revelação, devemos estabelecer distinções que são semelhantes as da linguagem da Fé.

Eduardo Rocha Quintella é Bacharel em Teologia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora - Minas Gerais - http://www.eduardoquintella.com.br
Autor: webmaster
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21/3/2009
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