Missa de 7° dia

Nas primeiras comunidades cristãs o dia da morte era chamado de “dieis natalis”: dia de nascimento para a vida eterna. A fé na ressurreição era tão firme que o desaparecimento de um ente querido não deixava as pessoas abatidas. A certeza da vida eterna era mais forte do que o sofrimento e a dor pelo vazio experimentado. Havia uma esperança intensa: a pessoa, parente ou amigo falecido estava “vivo” porque, mergulhado na Ressurreição de Cristo, tinha alcançado a comunhão com o Pai.m ocasião do sepultamento da pessoa falecida, a comunidade reunida realizava as exéquias, isto é, fazia as orações que celebravam a esperança cristã da vida eterna, proclamavam a Ressurreição de Jesus Cristo, pediam pela passagem do falecido ao céu e serviam de conforto para os parentes enlutados. Ponto central das exéquias era a Santa Missa. O catecismo da Igreja Católica, ao número 1689, considera a Eucaristia “o coração da realidade pascal da morte cristã”. E, repetindo as palavras do ritual das exéquias, diz: “na Eucaristia, a igreja expressa sua comunhão eficaz com o finado. Oferecendo ao Pai no Espírito Santo, o sacrifício da morte e ressurreição de Cristo, ela pede para que o fiel falecido seja purificado de seus pecados e de suas conseqüências e seja admitido à plenitude pascal do Banquete do Reino”.

A celebração eucarística, portanto, significa não só comunhão com Cristo, mas com o “Corpo ressuscitado”, isto é, com os que pertencem a Cristo, vivos ou falecidos.

Enquanto que, para os cristãos a morte era o início de uma vida junto a Deus, para os pagãos era o início de uma viagem para a escuridão. Como provisões para a viagem, eram deixados alimentos sobre o túmulo dos falecidos. Era costume, também entre os povos pagãos, preparar um banquete para recordar os falecidos: tais banquetes eram realizados no 3°, ou no 7° ou no 30°dia após o falecimento do membro da comunidade.

A associação, que é agora adotada, é em função do significado que o dia tem. A celebração no 3°dia da morte é motivada pela ressurreição de Jesus Cristo ao terceiro dia. A celebração do 7°dia é associada à criação operada por Deus ao longo de seis dias, sendo que no sétimo dia descansou.

“Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera. E no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera” afirma a Bíblia (Gn 2,2) No dia pois, em que Deus descansou, temos o ensejo de pedir a Deus pela pessoa querida para que descanse em paz.

No 30°dia ou no aniversário de um ano de falecimento, não há associações especiais: simplesmente são datas que sinalizam a marcha do tempo que vai passando. A saudade, entretanto, está presente no coração de quem fica.

No Brasil, a tradição da missa de 7°dia foi enraizando mais fortemente que em outros países, como meio para vencer as dificuldades de comunicação a respeito da morte de alguma pessoa da família e das distâncias para os familiares se fazerem presentes ao enterro. Ao longo da semana, a notícia do falecimento chegava longe e o povo vinha mostrar solidariedade em ocasião do 7°dia.

Este costume vigora, ainda hoje, até nas grandes cidades. É oportunidade para que se reúnam os numerosos parentes e amigos do falecido. Nem sempre os participantes são pessoas plenamente conscientes a respeito do valor da oração e da Eucaristia. As missas de 7°dia podem e devem se tornar momentos de evangelização daqueles católicos que vivem afastados da comunidade. O importante é que o ato não seja meramente um ato social, mas uma manifestação de fé na ressurreição.

(frei Diogo L. Fuitem)
Autor: frei Diogo L. Fuitem – parsantacruz@parsantscruz.org.br

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